01 julho 2003

EXTRAVASAR

Oiço
com os olhos
uma sinfonia
de pirilampos.

É noite luarenta
e,
mais uma vez,
estou em fuga
à monotonia
da normal(idade).

E acon-tece-me um ser
hermafrodita
que se assoma e diz:
EXTRAVASA-TE!

E fiquei,
estonteante,
hilariante,
ébrio
de orgasmo(s) mil.
Adeus vida(!),
vou prender-me
no labirinto
dos deuses-menores.

in UM BAILADO NO CENTRO DA ALMA
(aforismo, conto, prosa-poética, reflexão-filosófica-literária, poesia, entrevista)
de ângelo rodrigues, Editorial Minerva, 2002, Lisboa, 88 pp.