01 julho 2003

LIVRO - AVULSAS IMPRESSÕES

SÓ O AMOR DE UM SER INTERESSANTE É BELO E EXCITANTE
de von Trina, coordenação de Ângelo Rodrigues, no prelo, 56 páginas

AVULSAS IMPRESSÕES

1. Esta perturbadora obra de Von trina, parece-me ser bem mais do que um exercício almífico de exorcização e de catarsis-purificadora, qual psicanálise das errâncias divinas e profanas do feminino e afins: trata-se, também, de uma revelação de fetiches-vivos e excitantes, qualquer coisa que nos provoca e excita até às entranhas e que nos leva à masturbação e posterior orgasmo do espírito. Sintamos e partilhemos a dádiva das desvairadas e delirantes emoções e vivências do poeta despido, rebelde e errante: a luz, o calor, a paixão, a ardência, a excitação, a inquietude, a insatisfação, a coragem, a ousadia, a ternura da confissão sibilina, a doçura-amargura das palavras-anjo que entram para dentro de nós e nos convidam a voar pelo céu e pelo inferno dos nossos sonhos e desejos mais intimistas.
2. O poeta é uma espécie de vampiro, um espírito prenhe de liberdade que se alimenta de deusas venturosas: «não sei da tua alma / livre e lá longe /alimentando venturosa / espíritos prenhes»
3. Que este verso fique e contribua para a glória do poeta, para a diminuição da inquietude e para a frescura da nossa alma: «No mar fresco da interioridade».
4. Navegaremos a nossa alma-barco por estes poemas para ver o bailado das sereias e para ouvir os seus doces murmúrios que nos encantam.
5. Eis uma obra de Amor no feminino. Bendita sejas Mulher-Sereia-Deusa! Von trina é o enviado especial, o profeta das deusas. Creio que os poemas deste livro-oração querem dizer e dizem, o Indizível a Eternidade, o Amor, a Paixão, a Beleza, a Liberdade de se amar e de ser amado de uma maneira peculiar, original, diferente.
6. A fruição destes “poemas-setas-ao-coração” dos amantes, traz-me à mente alguns versos do poema DA MULHER que escrevi em 1987 e que, parece-me, vão ao encontro e estabelecem uma espécie de cumplicidade com estes sublimes poemas de Von trina que renovam também, a doce e grandiosa “ideia/tese” da mátria: «(...) Tenho que sair deste poema-vaginal / Antes de “comer” em gula TODAS / As fantasias da carne / E as femininas tempestades de espírito // Não sei nada de MULHER / Beijarei a mama mais próxima do Infinito / E tentarei adormecer / Sobre o ventre quente da MULHER-DEUS.