18 novembro 2003

DA MULHER

Serei talvez um bebedor
De Mundo-Mulher

Copular é contemplar um anjo azul-noite
Porque não entendo Mulher
Já fiz o que não tinha de fazer
E amanhã novas coisas há para continuar
Com efeito HÁ MULHER (simplesmente)

Já encontrei todas as mulheres
No meu quarto azul-universal
Já não há mulher-diferença
Para se encontrar

Tenho que sair deste poema-vaginal
Antes de “comer” em gula TODAS
As fantasias da carne
E as femininas tempestades de espírito

Não sei nada de MULHER
Beijarei a mama mais próxima do Infinito
E tentarei adormecer
Sobre o ventre quente da MULHER-DEUS


in DA RESSURREIÇÃO DO ESPANTO, ângelo rodrigues, Ed. Minerva, Lisboa, 1998