03 janeiro 2004

ENTRE(VISTA) - «DA LITERATURA & AFINS»

Helena Sousa FreitasO nosso país tem – para além do Ministério da Cultura – O Instituto Português do Livro e da Leitura, a Associação Portuguesa de Escritores e diversas entidades congéneres, que concedem subsídios, bolsas e prémios-revelação para novos autores. Mesmo assim, muitos escritores têm de pagar do seu bolso a edição dos seus livros. Parece que há aqui qualquer elo que falha, qualquer desencontro. Será falta de informação... ou a justificação é outra?

Ângelo Rodrigues - Não entendi muito bem o objectivo da questão, contudo, aproveito para lhe dizer que está na hora de as pessoas compreenderem que editar um livro é quase como comprar um quadro ou outra qualquer obra de Arte. Não é um investimento puramente materialista mas sim um investimento espiritual. É uma questão de mentalidade. Não se compra um móvel que custa trezentos contos e utiliza-se essa verba para fazer o tal livro que se queria editar e que se andou sempre à espera que a proposta de um editor caísse do céu; ora, tal procedimento é uma ingenuidade total no “actual panorama literário português” - seja lá isso o que for!


Excerto de uma entrevista a Ângelo Rodrigues no Sem Mais Jornal em 25 de Fevereiro de 1999 pela jornalista da Agência Lusa, Helena Sousa Freitas.