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29 julho 2019
27 julho 2019
24 julho 2019
17 julho 2019
DAS PALAVRAS CRUZADAS DO "EXPRESSO"
«Quem não se sente não é filho
de boa gente”
É Expressa-mente proibido aturar “cenas” destas.
ou da graçola imbecil…
Não tenho nada contra as
“Palavras Cruzadas” que até utilizo de vez em quando para exercícios de
consolidação da matéria, contudo, um infeliz qualquer ligado ao Jornal
Expresso (que talvez deixe de comprar e de ler) teve a infeliz ideia de brincar
com a vida de milhares de professores afirmando que estes “ensinam quando não estão em
greve". Esta atitude é, no mínimo, miserável, de um desconhecimento (arrogância
e ignorância) sem limites. Este senhor (que deve desconhecer o grande valor da
Educação) devia ser esclarecido sobre o tema/assunto “Professores” e não
escrever “coisas” absolutamente lamentáveis num jornal de referência (que para
mim deixará de o ser) até que alguém peça desculpa a estes tão “maltratados”
profissionais (professores) que são um dos pilares da sociedade progressista,
democrática e civilizada. É graças a eles que - apesar de tudo - Portugal
continua a ser grandioso e a não ter - assim - tantos imbecis…
MIGUEL d'HERA - Artes plásticas (Heterónimo de Ângelo Rodrigues)
16 julho 2019
ENTREVISTA de Ângelo Rodrigues à TERTÚLIA ORPHEU e ao Blogue EXTRAVASAR - 2º e última parte - julho de 2019
ENTREVISTA de
Ângelo Rodrigues
concedida à TERTÚLIA ORPHEU
e ao blogue EXTRAVASAR, julho de 2019
(2ª e última parte)
Ângelo Rodrigues
concedida à TERTÚLIA ORPHEU
e ao blogue EXTRAVASAR, julho de 2019
(2ª e última parte)
1.
Tertúlia
Orpheu / Extravasar: caro poeta, escritor,
professor e coordenador literário Ângelo Rodrigues; já tivemos o prazer de o
entrevistar (1ª parte – julho de 2019) sendo que esta é a 2ª e última parte da
entrevista. Tencionamos, desta vez, e obviamente, colocar-lhe outro tipo de
questões na sequência da entrevista anterior. Assim, nesta primeira questão,
queremos saber qual a sua perceção, sensibilidade e posicionamento
(idiossincrasia) em relação às políticas / ideologias / orientações de governação
para a Europa e, particularmente para Portugal. (No fundo, o que é que na sua
perspetiva está bem e mal e o que alteraria em termos políticos e de
governação).
Ângelo Rodrigues: toda a gente
conhece a célebre frase de Aristóteles (Filósofo Grego –
384-322 a.C.) de que «o Homem é um animal político». Recordo aqui
esta clássica figura e grande pensador da humanidade para dizer que a Política
e tudo o que esta envolve é uma inevitabilidade humana. A Política é uma “arte”
nobre quando é realizada por mulheres e homens verdadeiros - por pessoas - à
maneira de Kant (Filósofo Alemão do Séc. XVIII). Quase todos nós já ouvimos dizer a muita
gente (e até a pessoas muito próximas de nós) algo do tipo: “a Política e os
políticos não me interessam” ou então, “não gosto de Política e isso nada me
diz” e ainda “a Política é para os políticos…”. Este tipo de “desabafos” e/ou
“bocas” (que dizem tudo e não dizem nada) são perigosos e até inaceitáveis pois
- quer queiramos quer não - somos obrigados a concordar com o grande e velho
Aristóteles no sentido de admitir que somos, por excelência, “animais
políticos” (é claro que uns serão mais do que outros), mas não podemos nem
devemos (em situação alguma) excluir-mo-nos da nossa condição Política pois -
talvez por ignorância, por falta de esclarecimento, cansaço social, falta de
paciência para os políticos que têm sido muito maus ou ainda outra coisa
qualquer - as pessoas que se demitem da sua também dimensão Política, não terão
razão alguma (argumentos e fundamentação) para se “queixarem” da falta de “bem
estar” e da inexistência de vários recursos nas suas vidas bem como de uma educação
digna para os seus filhos, etc.. Em suma, não se deverão queixar da falta de
condições minimamente dignas e aceitáveis para uma vida, no mínimo, normal. De
forma ainda mais simples: quem diz nada querer com a Política e os políticos,
está, no fundo, a contribuir para a degradação da sua própria vida e também da
vida de todos os outros. Somos “animais políticos” e devemos não apenas assumir
essa nossa nobre função/papel social como elevá-la ao máximo. Sem mais comentários,
note-se (e pasme-se!) que a abstenção em Portugal ronda a casa dos 70%... Mais
comentários para que (?!) Os políticos e os nossos “líderes” (ou pseudolíderes / governantes)
tornar-se-ão absolutamente disparatados (ou algo do género) se o “Povo”
continuar a ter o comportamento/atitude que acabamos de descrever e que parece
não ser da responsabilidade de ninguém... É preciso rapidamente inverter a
mentalidade tacanha de que a “Política é apenas e só para os políticos” – nada se
revela de mais falso e perigoso para uma qualquer sociedade (seja ela mais ou
menos democrática).
Quanto à Europa,
estou cada vez mais dececionado e não sou o único. Começou por ser uma boa ideia e continua ainda a ter muita coisa boa,
mas está cada vez mais em desgraça e nos antípodas dos desejos humanistas e
económicos dos europeus que somos todos nós. Definitivamente, esta Europa, tal
como está, dispenso... Como estava antes, obviamente que também não queremos.
De facto, precisamos não apenas de ideias, mas sobretudo de boas ideias e isso,
infelizmente, não tem existido (acontecido) por parte das lideranças (governos)
nacionais e europeias. É preciso mais Educação, mais horas semanais da tão
necessária disciplina de Filosofia (e afins) nas escolas de todos os ciclos de
ensino a ver se aparece uma boa leva de ideias. Estou mesmo em crer que uma boa
parte dos nossos políticos não tiverem aulas de Filosofia e isso, desgraçadamente,
nota-se em demasia... Porra… de uma vez por todas (sem manipulações
psicológicas e económicas, sem retórica barata e sem peias nem rodriguinhos),
apostem mesmo na Educação e na Cultura!!! Não fiquem apenas pelas palavras e
pelas boas intenções… Estou mesmo em crer que só assim poderemos almejar e
alcançar o tal “Quinto Império” do Padre António Vieira tão bem corroborado
pelos nossos queridos e saudosos Fernando Pessoa(s) e Agostinho da Silva.
2.
Tertúlia Orpheu /
Extravasar: o Padre António
Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva (cada um à sua maneira e estilo,
em períodos temporais diferentes e de forma muito peculiar) exaltaram a “Alma
Portuguesa”, a “Demanda” e a ideia do “V Império”. O que lhe apraz dizer sobre
isto?
Ângelo Rodrigues: de alguma forma, já respondi
um pouco na questão anterior. Estamos a recordar figuras grandes da nossa
cultura que estão obviamente inscritas na nossa matriz e na nossa História como
marcos ou símbolos da criatividade, da diferença, da inovação e da excelência
do Pensar. De facto, a chamada “portugalidade” é também o nosso (maior) destino
(Fado). Fizemos e continuamos a fazer-mundo(s) e, tendo sido grandiosos/sublimes
nos Descobrimentos, temos hoje, mais do que nunca, a certeza de que voltaremos
a ser, apesar da nossa pequenez territorial, um grande povo, o tal povo do dito
“Quinto Império” em que a dimensão espiritual, cultural e almífica, possa ser um exemplo para todos os outros povos do mundo.
A dimensão do território é secundária pois a “portugalidade” é uma ideia de
grandeza espiritual, cultural e artística que é quase impossível de encontrar
na maioria dos outros povos/sociedades/civilizações. Vieira, Agostinho e Pessoa(s), cada um à sua maneira, defendem que
Portugal ainda não atingiu a glória suprema e lembram-nos (cada um com a sua
peculiaridade e diferença) que isso é bem possível desde que a nossa prioridade
e orientação - enquanto povo coeso - seja a Cultura e a Educação. No fundo,
estas grandes figuras do Pensamento e da Literatura, alertam-nos (sem a
tentação de cair obviamente em nacionalismos doentios e patéticos que
dispensamos) que Portugal ainda não é o que devia ser, mas que tem tudo para
ser o que já podia ser: humanistas, artistas, pensadores, escritores e
grandiosos poetas. Talvez seja isto o que basta para sermos GRANDES!
3.
Tertúlia Orpheu /
Extravasar: é uma pessoa
religiosa? O que é para si a Religião? Que tipo de importância atribui à
Religião nos dias de hoje? Como vê - enquanto poeta, escritor, humanista e
homem de cultura - os fenómenos de
radicalismo religioso que grassam um pouco por todo o mundo?
Ângelo Rodrigues: o fenómeno
religioso continuará sempre a ser um grande mistério humano. Etimologicamente,
Religião vem do Latim “Religare” que
significa “voltar a ligar o Homem à origem, a Deus – voltar ao Uno”. Bem
sabemos que ao longo da nossa conturbada história humana, a Religião tanto
serviu para aproximações como para afastamentos a todos os níveis e justificou
também muita barbaridade. Ela, a Religião, continua a ser um “pau de dois
bicos”. Sempre estive, desde criança, envolvido na “estatística” da Religião,
mas continuo a ter sobre ela a mesma incompreensão, a mesma dúvida e o mesmo
sentimento... Em mim e para mim (cada vez mais), a Religião não se confunde com
Deus nem este com a Religião. Há formas alternativas (e para mim mais
interessantes e autênticas) de se chegar a Deus ou a “um Deus”. Ela, a
Religião, é uma importante dimensão do Homem e da Vida e admiro (tenho bastante
consideração) por todos aqueles que com ela e a partir dela conseguem ser
felizes bem como conseguem ser solidários com os outros (seus semelhantes)
galvanizando-os para serem também felizes. Infelizmente, não é o meu caso
embora já o tenha tentado também... Nem sequer vou avaliar toda esta situação
pois não tenho argumentos sólidos para ser credível e objetivo. Para já (e
provisoriamente), a Religião para mim é sobretudo (e na essência) uma questão
cultural e de civilização (com uma estética peculiar que ora me apazigua,
acalma, ora me desafia, inquieta e intriga…).
Quanto ao radicalismo/fundamentalismo
religioso, há várias explicações para isso e, como em qualquer outra coisa da
vida, qualquer tipo de radicalismo é sempre mau por definição. Respeito obviamente
todas as religiões deste mundo bem como a “liberdade religiosa” (tendo também
grande apreço pelo Ecumenismo) e tento fazer o meu próprio caminho que tem
também (como creio, em todos) uma dimensão “religiosa”/espiritual (no sentido
particular do Religare) pois continuo
a acreditar que cada ser humano tem um Deus dentro de si que para muitos, como
eu, será Arte.
A única coisa que
quero pedir ao “meu Deus” é que me permita morrer o mais velho possível e, de
preferência, sem dar por isso.
4.
Tertúlia Orpheu /
Extravasar: contrariamente
aos gregos do mundo antigo - fundadores da nossa matriz política, social e
cultural (Séc. V, IV, III - a.C.) - a
sociedade contemporânea parece dar pouca importância às grandes ideias
filosóficas, às artes em geral bem como não valoriza - como devia - a
Literatura e, particularmente, alguns géneros literários. Concorda com esta
nossa síntese? Acha importante, desejável e urgente uma viragem das novas
gerações para uma vivência e consideração mais intensa e quotidiana das artes
em geral e da Literatura?
Ângelo Rodrigues: começo
por aceitar e concordar com a síntese que é feita. Por razões várias (umas más e
outras boas), estamos a mudar o paradigma cada vez mais rapidamente ao longo da
História e, quando temos a oportunidade de fazer a “epistemologia” (análise, reflexão,
avaliação, balanço) dessas mudanças e da experiência dos novos paradigmas,
acabamos sempre por perceber que as artes em geral e o Pensamento
(consubstanciado na Filosofia e na Literatura) em particular é (ou são) a grande
conquista e a mais-valia por excelência da humanidade. O Conhecimento é, de
facto, o melhor património da humanidade e a nossa geração, tal como aquela que
nos antecedeu tem o direito e o dever de lembrar à próxima geração isso mesmo:
que o Conhecimento/Cultura/Educação deve ser preservado e desenvolvido.
Infelizmente, certos países (e governos) parece esquecerem-se que a Educação e
a Cultura é o que permite fazer com que o Conhecimento se estabeleça nas
sociedades como grande prioridade e que é ele que permite a evolução a todos os
níveis como estou em crer que todos desejamos. Temos (todos) que dar o nosso
contributo pois a missão mais nobre, o humanismo e a grandeza de cada ser
humano, passa sobretudo por esse contributo.
5.
Tertúlia Orpheu /
Extravasar: partilhe
connosco e com o público leitor a forma mais prática e eficaz de se
comprar/adquirir os seus livros.
Ângelo Rodrigues: como
já disse na primeira parte desta entrevista, os meus livros podem ser
adquiridos em qualquer livraria física e online (portais/plataformas web) e
aproveito mais uma vez para vos indicar aqui alguns links a partir dos quais – e de forma simples – os podem também
adquirir. Desejo a todos uma ótima e feliz leitura (fruição literária) e
sintam-se à vontade para me dirigirem qualquer crítica, reparo, desabafo ou apologia. Para tal, podem usar o
e-mail angelomanuelrodrigues@gmail.com.
-
Edições Colibri (Loja online):
http://www.edi-colibri.pt/Pesquisa.aspx?Action=PesquisaR&Query=%c3%82ngelo%20Rodrigues
http://www.edi-colibri.pt/Pesquisa.aspx?Action=PesquisaR&Query=%c3%82ngelo%20Rodrigues
6.
Tertúlia Orpheu /
Extravasar: escrever,
ensinar, fazer coordenação literária, produzir eventos, etc. é para si uma necessidade,
uma terapia, uma paixão ou outra coisa qualquer? Para que serve a Literatura e
as Artes? Que escritores e artistas mais aprecia e que mais o influenciam? «A Literatura e as Artes são a salvação do
mundo». Concorda?
Ângelo Rodrigues: confesso que é uma boa questão, mas a minha
resposta vai ser breve. Tudo o que faço (com certeza umas coisas melhor do que
outras - como todos nós) é com o propósito de “dar sentido” à vida. Todos temos
uma missão neste mundo e aquilo que faço é nada mais nada menos do que a
expressão dessa missão que se traduz também em motivar, galvanizar e ajudar a dignificar
e a celebrar as artes em geral. De facto, o que faço, e assumo, é uma terapia
(toda a Arte é também terapia), uma paixão e “outra coisa qualquer” que talvez
se possa traduzir no próprio mistério/enigma da Vida.
Perguntam-me para que serve a
Literatura, e a minha resposta faz-se concordando com esta célebre frase - de
que gosto muito - do escritor e poeta Russo-Americano Vladimir Nabokov (1899-1977): «A Literatura não é sobre algo, é
a própria coisa. A própria essência». Creio não ser necessário dizer muito
mais do que isto.
A Literatura e as artes em geral não são a “salvação do mundo”, mas é um
facto indesmentível que têm contribuído bastante para que o “Mundo” possa
continuar a ser um “lugar/sítio” que vale a pena… Como já afirmei na primeira
parte desta singela entrevista, “o que seria deste mundo sem as artes e,
particularmente, sem a Música e sem a Poesia(?!)”. Não sei se conseguiria viver
num “Mundo” sem esta dimensão da vida…
7.
Tertúlia Orpheu /
Extravasar: o que pensa, em
geral, da Escola e das pedagogias dos dias de hoje? O que mantinha e o que se
propunha alterar? Partilhe connosco, se possível, a sua perspetiva (ideias)
sobre Educação/Formação/Ensino.
Ângelo Rodrigues: sou
também professor (procurando na minha “prática letiva” ser também pedagogo) do
Ensino Secundário e tudo tenho feito - ao longo da minha “carreira docente” -
no sentido de contribuir para um processo de Ensino-Aprendizagem mais eficaz,
credível e autêntico. A Educação precisa mesmo e urgentemente de uma reforma
profunda que governos sucessivos têm tido receio, falta de motivação política e
incompetência para o fazer. Afirmo mesmo, e sem peias, a necessidade de uma “revolução na Educação”. A Escola dos
dias de hoje não acompanha as constantes mudanças sociais (a vários níveis) e
parece existir um grande desfasamento entre a Escola (o que ela devia
dar/oferecer) e a Vida.
Além do mais, quem de direito (e não apenas e só o Ministério da
Educação e o Governo, mas também a sociedade no seu todo), parece tomar
decisões não fundamentadas, não consensuais e, pior do que tudo, são por norma
decisões tomadas sem terem em conta os agentes mais habilitados que são os
professores/educadores, os alunos e os pais. Qualquer mudança significativa e que se queira eficaz (que funcione de facto)
deverá ter sempre em conta todos os agentes educativos (educadores, professores,
encarregados de educação, alunos e a sociedade no seu todo) e jamais poderá
resultar apenas e só do capricho e do “poder” de uns quantos
políticos/governantes com a agravante de que essas decisões e políticas quase
nunca são avaliadas (escrutinadas) como deviam e, no fim de tudo, esses
políticos/governantes nunca são devidamente responsabilizados pela quantidade
de “asneiras” e más decisões que foram tomando ao longo dos anos. Podia recordar
aqui vários nomes de políticos e de governantes cuja atuação e responsabilidade
(no âmbito da Educação) foi mesmo do piorio, mas é melhor não o fazer…
8.
Tertúlia Orpheu /
Extravasar: muitos autores e criadores dizem que escrever,
pintar e criar em geral, é algo muito difícil, sofrível, corajoso, ousado e
solitário. Concorda? Que tipo de receios tem (ou não) quando - por exemplo - acaba
um livro? E, já agora, que tipo de estratégias (se é que as tem) coloca em
prática para afirmar/divulgar/promover a sua obra?
Ângelo Rodrigues: claro
que concordo. A escritora Russa-Francesa Elsa Triolet (1896-1970) escreveu que «criar é tão difícil como ser livre» e eu
não podia estar mais de acordo. A criação e produção da “verdadeira Arte” (em
qualquer área) é algo que implica uma dedicação e um empenho constante e, como
nos ensina todos os dias a vida, sem esforço e sem trabalho não há sucesso/êxito.
Criar implica também - e sobretudo - a dimensão do Pensar (convergente e
divergente) e, infelizmente, a nossa sociedade parece não perceber que, cada
vez mais, para termos sucesso, temos que pensar e ter boas ideias.
(Infelizmente, e mais uma vez, os nossos líderes/políticos/governantes não têm
percebido que é fundamental a dimensão do Pensamento e da Filosofia nas Escolas
desde a primária e até ao fim da vida. Fico “pasmado” com o seguinte: com uma
frequência cada vez mais assustadora, a Filosofia nas escolas, em cada ano
letivo que passa, fica com menos tempo (com menos horas). Fica apenas esta
informação para memória futura pois, a continuarmos assim, estaremos a
hipotecar e também a empobrecer e a diminuir o Futuro das novas gerações. E
fecho esta resposta/reflexão com a seguinte frase/aforismo do poeta francês
(associado ao Surrealismo e ao Cubismo) Pierre Reverdy (1889-1960) cuja obra aprecio bastante: «Criar é pensar um pouco mais forte».
9.
Tertúlia Orpheu /
Extravasar: como Cidadão do mundo, Poeta, Escritor, Professor…,
que tipo de problemas e de inquietações (a nível nacional e internacional) mais
o perturbam? Partilhe connosco e com os leitores, o assunto/tema que considera
mais importante/relevante para reflexão/discussão/confronto nos dias de hoje.
Ângelo Rodrigues: há mesmo tanto tema
e assunto que considero importante para se
discutir e refletir de forma séria e urgente, mas vou centrar-me apenas
no tema/assunto/problema da “falta de hábitos de leitura” por parte dos jovens (e não só).
A falta de hábitos de leitura por parte dos jovens é algo
que de facto me perturba e inquieta e não consigo perceber porque razão a
maioria dos jovens (alunos) parece não retirar nenhum tipo de prazer, emoção ou
até “adrenalina / pica” da leitura de
livros. Aquando da minha “prática letiva” (no início de cada ano letivo), e
perante turmas de cerca de trinta alunos, o que é no mínimo um disparate sem
dimensão, mas isso fica para outra entrevista… Dizia eu que, quando os
questiono sobre o que leram, estão a ler ou pensam vir a ler, existem apenas
dois ou três alunos que leram ou estão a ler algum tipo de livro, mas a grande
maioria diz-me não gostar de ler ou não ter lido nenhum livro ainda. É mesmo
assustador e problemático, sobretudo no âmbito das disciplinas de Filosofia,
Psicologia e Área de Integração. Alguma coisa terá de ser feita/implementada
para se tentar inverter tudo isto…
10.
Tertúlia Orpheu /
Extravasar: escolha por favor
um pequeno excerto e/ou poema de um dos seus livros (publicados ou a publicar –
individuais, antologias ou coletâneas) para “aguçar o apetite” dos potenciais
leitores. Desejamos-lhe todo o sucesso e sorte do mundo pois a sua obra bem o
merece!
Ângelo Rodrigues: obrigado por esta última parte
da entrevista e oxalá o vosso trabalho de divulgação e de promoção de obras e
de autores tenha o sucesso que merece.
Destaco aqui dois singelos aforismos do texto
aforístico «Dos Poetas - tratado
apologético, definitivo e absoluto, dos poetas e da Poesia» incluído no meu último livro
«MUSA LIXADA e PREGUIÇOSA» publicado pela minha editora (Edições Colibri - www.edi-colibri.pt) em maio de 2019.
«Os poetas são
multifacetados, irreverentes, inquietos e irrequietos. Tudo o que se diga é,
provavelmente, inútil e desnecessário pois a «Poesia é o Dizer supremo» e
absoluto; tudo o que não se Diz, acaba por ser sempre o mais importante; além
disso, estamos fartos do “comentarismo
ruminante e estéril”. Ainda assim, humildemente e com todas as cautelas, vos
digo que a Poesia é o “género” maior que “compreende pelo mistério” os sentidos
sublimes bem como consegue significar o mundo da eternidade prometida, o mundo
da transcendência».
«Há Poesia
enigmática, profética, sibilina, moira, «sacerdotisa de vestes brancas», que
vive e faz-viver intensamente o Grande-Mistério (Eternidade) alimentando-se
espiritualmente (também pela dádiva) do Silêncio e do “poderoso sentido da
PALAVRA”. Raras, pobres e difíceis são as
palavras / Que Dizem o Grande-Enigma; / Uma terrível angústia gramatical / Embate
na inquieta Alma dos poetas (A.R., 1999). É também êxtase, celebração,
exaltação, ritual iniciático à compreensão da condição-humana».
15 julho 2019
CONVITE - Edições Colibri
Publique nas Edições COLIBRI - www.edi-colibri.pt!
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Envie o seu original para criapromove@gmail.com
14 julho 2019
"GLACÊ COM BOLINHAS PRATEADAS" de Albert E. Marcus
VÍDEO-LIVRO por Ângelo Rodrigues.
"GLACÊ COM BOLINHAS PRATEADAS".
Uma publicação das Edições Colibri da autoria do romancista Albert E. Marcus (Heterónimo de Eugénia Martins).
Este VÍDEO-LIVRO tem o apoio e patrocínio da TERTÚLIA ORPHEU e do Blogue EXTRAVASAR (Promoção e divulgação de obras e de autores). (Contactos: criapromove@gmail.com / Tm (+351) 965065213)
www.facebook.com/groups/TertuliaOrpheu
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julho de 2019
13 julho 2019
"CONVERGÊNCIAS DESCONEXAS" de Luís Telésforo
VÍDEO-LIVRO por Ângelo Rodrigues.
"CONVERGÊNCIAS DESCONEXAS".
Uma publicação das Edições Colibri da autoria do romancista Luís Telésforo.
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julho de 2019
"CONVERGÊNCIAS DESCONEXAS".
Uma publicação das Edições Colibri da autoria do romancista Luís Telésforo.
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julho de 2019
Vídeo-Entrevista - (Ângelo Rodrigues) sobre o último livro "MUSA LIXADA e PREGUIÇOSA" - Edições Colibri
Von Trina Entrevista Ângelo Rodrigues na 89ª Feira do Livro de Lisboa após Sessão de Autógrafos - 1 de junho de 2019.
Uma publicação das Edições COLIBRI
Uma publicação das Edições COLIBRI
Última ENTREVISTA de Ângelo Rodrigues concedida à TERTÚLIA ORPHEU e ao Blogue EXTRAVASAR
concedida à TERTÚLIA ORPHEU
e ao blogue EXTRAVASAR, julho de 2019
(Esta 1ª parte da entrevista está também publicada no Livro 6
da coletânea «MUNDO(S)». A 2ª parte está publicada no Livro 7
da mesma coletânea, Edições Colibri, 2019)
e ao blogue EXTRAVASAR, julho de 2019
(Esta 1ª parte da entrevista está também publicada no Livro 6
da coletânea «MUNDO(S)». A 2ª parte está publicada no Livro 7
da mesma coletânea, Edições Colibri, 2019)
1.
Tertúlia Orpheu / Extravasar: Caro professor, poeta,
escritor e coordenador literário Ângelo Rodrigues, a sua participação nos nossos
projetos é para nós um enorme prazer. Queira fazer o favor de partilhar
connosco (e com o público leitor) as motivações que o levaram a enveredar pelo
fascinante mundo da escrita, da coordenação literária e da divulgação/promoção
cultural em geral.
Ângelo Rodrigues: Desde
muito cedo que me interessei por livros e, digamos, pelo universo dos
escritores e da escrita (seja lá isso o que for… pois há ainda muita
confusão e “parolice” sobre o conceito de se ser ou não ser escritor; contudo,
não vou aqui dissertar sobre este assunto que ficará para um outro tipo de
reflexão). De forma delicodoce, partilho convosco o que
tenho ainda na memória (enquanto criança): o saudoso registo de conceber nos
anexos da “grande casa” de aldeia dos meus pais (centro de Portugal), pequenos
recantos com supostas “Bibliotecas” e “lugares” destinados “à leitura”. Os
livros não eram muitos lá por casa, mas, durante horas, a criança (que também
era curiosa, rebelde, igual e diferente como quase todos nós), realizava uma espécie
de jogo/investigação no sentido de encontrar livros e de os arrumar/alinhar por
tamanhos, cores, aspeto e às vezes também por temáticas e géneros. Desde então,
e até hoje, nunca abandonei os livros e eles também não me abandonaram. Obrigado
livros por gostarem (também) de mim! Direi mesmo que, a seguir ao meu grande
amigo Tobias Miguel Cão, os meus melhores amigos são, definitivamente, os
livros (os meus e os dos outros). Pronto!, OK… o Von Trina também é meu amigo… Aproveito
aqui para – se me é permitido – dar-vos um conselho: amem os livros… Se
possível, “façam Amor” com eles… Sejam também pais e mães de Livros! Proponho ainda o seguinte exercício matinal: logo pela
manhã, e ao sair da cama, ir à janela e gritar a palavra LIVRO!!!!! («Livro, o som mais nobre que o homem alguma
vez proferiu» - Bernard Levin).
Não consigo conceber a minha vida sem livros e estou em crer que, apesar de
toda a revolução tecnológida e da vasta variedade de suportes já inventados e
por inventar, o Livro em papel continuará a ser, pelo tempo fora, o suporte
mais nobre, eficaz e simples para se ler e fruir um bom poema, um conto, uma crónica,
um romance…
Quanto
à coordenação literária (função também abordada na vossa questão, lembro-me, e
partilho, que o meu primeiro projeto literário aconteceu no início do Ensino
Secundário quando me dispus a compilar (e a coordenar) numa espécie de coletânea
artesanal (que perdi ou dei…) alguns poemas e pequenos textos (escritos numa
velha máquina de escrever) que já fazia e que resolvi “publicar” fascinado já
na altura pelo “objeto” Livro. Nessa
época já me entusiasmava o processo de “fabrico” de um livro e estava longe de
pensar que uma boa parte da minha vida e do meu tempo seria ocupado numa
permanente relação com livros e com autores.
A coordenação literária e o “mundo da edição”
continuam a ser para mim algo de mágico e até de enigmático e, dito isto,
alinho com o grande escritor argentino Jorge Luís Borges (1899-1986)
quando escreveu «sempre imaginei o
paraíso como uma espécie de Biblioteca». Quando estou em espera (quase
sempre “em pulgas”) que um livro saia da editora/gráfica, tenho um
“comportamento” semelhante ao meu já evocado cão Tobias que fica altamente
excitado e entusiasmado quando prevê (ou “intui”) que lhe vou dar um osso.
Lembro-me que, talvez influenciado pelo grande Fernando Pessoa(s) que já conhecia um pouco apesar de
criança, esses “para-poemas” e “textozinhos” tinham nomes diversos e eu
aparecia como o coordenador da coisa... Agora que disto me lembro (pois
recordar também é viver), tomo consciência que talvez tenha sido esta a minha
primeira experiência de coordenação literária; desde então, já passei por
quatro ou cinco projetos editoriais e já coordenei (bem ou mal) dezenas de
projetos literários de praticamente todos os géneros. Estou em crer
que devo ter publicado entre 750 a 1000 autores/escritores (uns mais conhecidos
ou “consagrados” do que outros) e alguns foram mesmo publicados pela primeira
vez em projetos que criei e divulguei com a ajuda das editoras e das diversas
entidades culturais onde colaborei e colaboro. Se me é permitido fazer aqui um “balanço”, direi
que - pelo menos para mim - valeu a pena.
Quanto
à promoção e divulgação cultural, como dizia a minha saudosa avó, “está-nos na
massa do sangue”. Desde a escola secundária, passado mais tarde pela minha
experiência na apresentação de programas de rádio (Renascença, Voz de Almada
entre outras), Jornalismo Cultural e Ensino, diria que temos o direito
e sobretudo o dever de promover/motivar a Cultura e as Artes.
Como costumo lembrar (e reitero aqui mais uma vez),
o que seria de nós sem a Cultura e sem as Artes(?!). Parafraseando (e abusando)
a célebre frase de Nietzsche (1844–1900)
«o mundo sem Música seria um erro»,
eu direi: o mundo sem as Artes em geral seria apenas estúpido. (Deste grande
monstro do Pensamento, da Filosofia e da Literatura, não deixem de ler ou de
reler o grande «Para além do bem e do mal»).
2.
Tertúlia Orpheu / Extravasar: Fale-nos do
processo de construção das suas obras literárias bem como das dificuldades que
sente (ou não) na sua elaboração e na afirmação das mesmas junto dos leitores.
Ângelo Rodrigues: O
meu processo de produção e construção dos meus “livrinhos” é muito simples e
também caótico tal como a minha pobre Alma. Serei talvez um caso perdido... Sou muito
pouco racional a escrever e não tenho nenhuma disciplina pois acontece quando
calha e também não acredito na famigerada Inspiração pois, tal com é dito pelo
grande escritor Fitzgerald (1896-1940), «não
se escreve porque se quer dizer alguma coisa, escreve-se porque temos algo para
dizer» e eu funciono um pouco assim… Quando sinto que tenho algo para dizer, escrevo em
todo o lado e, quando tenho um esboço ou algo do género, ou vira um poema, um
texto aforístico, um pequeno conto ou outra coisa qualquer desde que para mim
faça sentido.
Qualquer
criador/autor (em qualquer tipo de arte), mesmo que diga o contrário, tem
sempre problemas na divulgação e distribuição das suas obras. Esse foi, é, e
continuará a ser o “Calcanhar de Aquiles” ou o parente pobre do processo
criativo. Até porque esta dimensão do processo faz parte, por excelência, da
criação artística e literária em geral. Podia apresentar aqui vários exemplos
de várias épocas, mas limito-me a recordar apenas dois génios do Pensamento e
da Literatura: o caso de Nietzsche cujos livros (ensaios filosóficos e não só)
foram vendidos a peso por “tuta e meia” e também o caso de Mário de Sá-Carneiro
(1890-1916)
que em vida foi absolutamente incompreendido e pouco ou nada publicado. Mas há
muitos mais a quem o Tempo (ou não) irá fazer justiça. Contudo, a bem da verdade
e sem nenhuma espécie de pretensiosismo (que é coisa que detestamos muito),
estou-me marimbando para o pouco ou muito reconhecimento do meu trabalho literário
e criativo. Costumo
dizer a alguns bons autores que ajudo a publicar que se a obra deles for
realmente boa, nem que demore 1000 anos, mais cedo ou mais tarde, a mesma terá o
reconhecimento que merece. Creio que é agora a oportunidade para dizer que também
anda por aí muito “gato por lebre” e muita confusão sobre o que é ou o que não
é Literatura. Assumi também, desde muito cedo, que uma das minhas funções/papéis
- chamemos-lhe compromisso - neste mundo passageiro e ingrato, é criar Arte em
geral e fruir (o mais possível) a Arte dos outros… Sem Arte (incluindo
principalmente a Música e a Literatura), esta vida (tal como a concebemos)
teria pouco sentido.
Outro
aspeto da questão, à qual não quero fugir, é o facto de a Comunicação Social (particularmente
no âmbito cultural e artístico) ser tristemente - e de facto - muito pobre em
Portugal. Já disse isto em outros textos e entrevistas, mas temos mesmo que ir
reiterando a ideia até que alguém nos ouça: temos que colocar na Comunicação Social verdadeiros
humanistas e mulheres e homens de cultura! Pasme-se: mais de 75% de um qualquer
Telejornal (de praticamente todos os canais) é Desporto. Mais
palavras para quê?! Estamos mesmo em Portugal. Apesar de tudo, adoro este país
e não queria viver em mais nenhum.
3.
Tertúlia Orpheu / Extravasar: Se possível,
faça-nos um pequeno resumo da sua obra mais emblemática e destaque um ou dois
temas que possam eventualmente gerar mais interesse, polémica e/ou surpresa junto
do público leitor.
Ângelo
Rodrigues: O meu “livrinho” mais
perturbador (até para mim) é o «PALMADAS & REBUÇADOS - Pequenos contos
quase-surrealistas» - que saiu em 2013 e que em várias passagens é
absolutamente desconcertante e cáustico. Mas esta fase já me passou um pouco e agora estou
menos crítico-sarcástico, um pouco mais filosófico, talvez metafísico e/ou
espiritual… Contudo, também gosto muito
do meu último livro que saiu em maio deste ano (2019), «MUSA LIXADA &
PREGUIÇOSA» que reúne poemas e textos aforísticos que procuram Sentido bem como
explora e reflete (julgo eu) a condição humana e o propósito das nossas relações
(a vários níveis) no cômputo geral das nossas vidas.
Apesar do que já disse, estou em crer que o tema
sobre o qual me debrucei e que mais “polémica” (e surpresa) gerou nos “meus
leitores” foi exatamente o livro «ETERNIDADE & ABSURDO» que saiu em 2015 e
que se encontra esgotado. (Se pelo menos 100 supostos e potenciais leitores
manifestarem interesse em conhecer esta
obra, irei pedir à editora para fazer uma 2ª edição apesar de eu não gostar de
reeditar os meus livros e por norma não o fazer).
4.
Tertúlia Orpheu / Extravasar: A que tipo de
pessoas (eventuais leitores) poderá interessar mais a sua obra e porque razão
ou razões.
Ângelo Rodrigues: É
uma questão difícil de responder. A tentação primeira é dizer que a minha
“obra” pode interessar a todas as pessoas desde os 15 aos 150 anos, mas sei que
as coisas não funcionam assim e eu sou obviamente suspeito. Como é sabido, o
meu género de eleição (e que tenho privilegiado ao longo do tempo) é a Poesia e,
cerca de cinquenta por cento do que tenho produzido é deste género; e também
sei que há muita gente que ainda não percebeu a importância da Poesia faltando-lhe
talvez um contexto ou um certo enquadramento para compreender e interiorizar
que a Poesia, logo a seguir à Música, é uma arte maior e de grande significado
para o sentido e propósito das nossas vidas.
Mas eu não estou aqui para doutrinar ninguém, apenas faço um alerta: leiam boa
Poesia! Irão notar que, quase sem se aperceberem, uma espécie de transfiguração
vos irá acontecer… algo como sair do “rame
rame” quotidiano e entrar numa espécie de paraíso ou, ainda, algo próximo
de um orgasmo… Também aprecio bastante, contos surrealistas (ou do género), um
pouco à maneira de Mário Henrique Leiria (1923-1980)
e de Gonçalo M. Tavares.
Aproveito
para partilhar algo que me causa alguma espécie, alguma perturbação, no sentido
negativo do termo: apesar de estarmos um pouco melhor nos últimos anos, verifico ainda que a maior parte das pessoas
parece ler apenas romances de meia dúzia de escritores (sempre os mesmos)
mediáticos e/ou “televisivos” como se a Literatura se resumisse a isso. Mais um conselho
(que é coisa que não costumo fazer, mas hoje estou estranhamente para aqui
virado): Abram a mente a outras leituras e procurem também - e cada vez mais - escritores, autores, poetas e artistas alternativos
e que mais cedo ou mais tarde irão fazer – realmente – a diferença.
(Também me sinto muito profético hoje… mas já passa!).
5.
Tertúlia Orpheu / Extravasar: Partilhe connosco
e com o público leitor a forma mais prática e eficaz de se comprar/adquirir os
seus livros.
Ângelo Rodrigues: Os
meus livros (e particularmente o mais recente «MUSA LIXADA e PREGUIÇOSA»)
encontram-se nas livrarias físicas e nas várias plataformas online de venda de
livros. Se por acaso entrarem numa qualquer livraria física e o livreiro ou o pseudo livreiro vos disser que
desconhece o livro ou o autor, chamem-lhe nomes feios e digam-lhe também que de
Literatura não sabe nada. Contudo,
para que não inventem desculpas (pois os portugueses são exímios em inventar
todo o tipo de desculpas para não lerem), aqui vos deixo alguns links de boas
livrarias/plataformas online onde podem mandar vir os meus “livrinhos” que são
- em termos de PVP - muito acessíveis e que, ainda por cima, nestas plataformas,
estão com fantásticos descontos de 10 a 20 por cento.
Divirtam-se,
inquietem-se e perturbem-se!
-
Edições Colibri (Loja online):
http://www.edi-colibri.pt/Pesquisa.aspx?Action=PesquisaR&Query=%c3%82ngelo%20Rodrigues
http://www.edi-colibri.pt/Pesquisa.aspx?Action=PesquisaR&Query=%c3%82ngelo%20Rodrigues
6.
Tertúlia Orpheu / Extravasar: Queira destacar
e partilhar connosco e com o público leitor o seu melhor projeto
literário/criativo até agora. Fale-nos também dos eventuais projetos para o
futuro.
Ângelo Rodrigues: É
sempre difícil - e relativo - destacarmos o nosso melhor projeto. O melhor
projeto de quem cria é sempre aquele que ainda não foi criado. Creio que a
“atitude” clássica - e por excelência - da maioria dos autores/criadores, é
considerar que o projeto em que se está a trabalhar é o melhor e, desta vez,
vou também alinhar por aqui concluindo que o meu melhor projeto está agora a
ser iniciado. Apesar
de tudo, e tendo em conta que o melhor é sempre o que virá a seguir, gostaria
de destacar o meu último livro «MUSA LIXADA e PREGUIÇOSA». Estou também a
produzir e a coordenar os Livros 6 e 7 da coletânea «MUNDO(S)» para as Edições
Colibri; é um projeto que, apesar do trabalho que dá, e apropriando-me de uma típica
expressão dos mais jovens, me tem dado alguma “pica” pois tenho conseguido
encontrar poetas bons e outros muito bons e isso, só por si, é uma satisfação e
um prazer bem como nos deixa uma sensação de dever cumprido uma vez que - mal
ou bem - temos contribuído para a descoberta, receção e motivação/galvanização
de novos valores da Literatura em geral e da Poesia em particular. Para
rematar, por graça e também porque achamos curioso, já algumas pessoas me
disseram que eu sou uma espécie de Júlio Isidro da Literatura; não deixa de ser
simpático embora talvez injusto para alguns.
Como
sabemos, o futuro a Deus pertence, mas, apesar desta quase-certeza para muitos
de nós, se acreditarmos de facto nas nossas competências/talentos/intuições…, podemos
e devemos fazer projetos e lutar por eles. Assim, ainda pretendo realizar e coordenar vários
Livros da «MUNDO(S)», produzir um livro de Entrevistas (minhas e de outros) e
organizar um Festival de Literatura, Música e Artes bem como mais umas quantas
tertúlias. A ver vamos!
7.
Tertúlia Orpheu / Extravasar: Qual a sua
opinião e sensibilidade sobre o mercado livreiro em Portugal e na Europa? O que
melhoraria e o que alteraria neste complexo mercado?
Ângelo Rodrigues: A
questão é boa, mas a resposta vai ser necessariamente fraquinha pois tenho
andado bastante arredado da estatística e afins uma vez que sou muito mais emotivo
do que racional e as questões logísticas (apesar de praticamente todos os dias ter
que lidar com elas) são as que mais me perturbam e arreliam e por isso tento
não perder muito tempo com este tipo de questões práticas. Contudo, a ideia que
tenho, e em comparação por exemplo com vinte anos atrás, fico com a sensação
que hoje em dia se lê um pouco mais em Portugal e também na Europa.
Há com certeza muitos fatores (alguns bastante óbvios) que ajudarão a explicar
isto mesmo e um deles (talvez o principal) é a escolarização generalizada. A suposta
fundamentação desta minha intuição é que sei que há mais projetos editoriais,
muitos mais livros a serem produzidos todos os dias e mais vendas,
particularmente nas grandes feiras de livros tanto em Portugal como na Europa.
Bem sei que isto pode não significar que o facto de se venderem mais livros não
quer dizer que existam mais leitores na verdadeira aceção do termo... E mesmo
que isso possa acontecer, a qualidade dos livros e dos autores bem como a
intensidade da fruição das leituras, pode ser menor e mais pobre – é tudo muito
relativo… No
meu caso, e apesar de procurar ler tudo e mais alguma coisa, acabo sempre por
chegar à conclusão de que é preferível ler um bom livro (marcante, tocante, “fabulástico”, inquietante - ou algo do
género) do que dois ou três maus livros só porque tem que ser (razões
profissionais – entre outras).
Já
o afirmei em outra entrevista do género, mas volto a reiterar aqui a ideia
porque é de facto uma convicção forte em mim: deixem de vender livros nas
grandes superfícies e supermercados e reabilitem as “Livrarias de Bairro” concebendo-as com pequenos auditórios e espaços
para que as editoras e os autores (bem como outros agentes culturais e
artísticos) possam realizar eventos literários diversos que aproximem os
leitores dos escritores e, que também com isso, se possa desenvolver,
dignificar e enaltecer o “culto do Livro” elevando-o, se possível, a um patamar
de excelência que bem merece. Bem sei que isto não
é fácil pois o paradigma cultural, social, académico, tecnológico e económico
(bem como a mundividência e as idiossincrasias da nova geração) mudou bastante,
mas fica a proposta (e garanto-vos que não sou saudosista pois a minha
convicção é que o Futuro é que é…).
8.
Tertúlia Orpheu / Extravasar: Sabemos que
infelizmente a Comunicação Social tradicional (Imprensa / Rádio / Televisão) dá
pouco destaque aos Poetas/Escritores e os poucos que são “falados” / resenhados,
acabam sempre por ser os mesmos. O que pensa disto e o que propõe para que os Media passem a fazer o seu trabalho e a
terem de facto uma atitude de equidade e de justiça?
Ângelo Rodrigues: Quem
me conhece um pouco sabe que também tive uma experiência no designado “jornalismo
cultural” bem como na realização e apresentação (locução) de programas de rádio
e, já nessa altura, era bastante crítico (também com os meus pares) em relação
à pobreza do jornalismo e da divulgação
cultural. Comparativamente
com os dias de hoje, podemos dizer que, por um lado, ainda bem que temos o “complemento”
das redes sociais e que projetos como a TERTÚLIA ORPHEU (Grupo do
Facebook) e o Blogue EXTRAVASAR existem
fazendo um meritório trabalho de divulgação e de promoção cultural de obras e
de autores/criadores através - por exemplo - de uma entrevista como esta.
É claro que não chega e a Comunicação Social de referência, como também já o
afirmei, anda no mínimo e para ser “bem educado”, distraída e, dia após dia (e
ao longo dos anos - com raras exceções -), são sempre os mesmos a ter “tempo de
antena” nas televisões, nas rádios e nos jornais e revistas. Temos mesmo todos
que contrariar este calamitoso (e injusto) estado de coisas e fazer pressão
para que as “entidades” que dominam o jornalismo e os “tempos de antena” possam inverter a sua
atitude. De facto, não se faz - de todo - bom jornalismo em Portugal e há
jornalistas, apresentadores, publicistas e “fazedores de opinião” que julgam
(há demasiado tempo) que convidar e falar sempre dos mesmos e dos mais
mediáticos é o melhor para eles e para o grande público; pois eu digo que não
é; é lamentável, injusto, pretensioso, arrogante e patético. Estamos fartos
da mesmice e está mais do que na hora da necessária e urgente revolução
cultural (e jornalística). Não sou exemplo
para ninguém, mas, por mim, estou a dar o meu pequeno contributo: durante cerca
de três anos foi com o portal CriaPromove
e agora é com o Grupo da TERTÚLIA ORPHEU e com o Blogue EXTRAVASAR. Sei que é muito
pouco, mas vale mais pouco do que nada. Também sabem, tal como eu, que tirando
talvez a Televisão, a restante Comunicação Social está cada vez mais em crise e
há até o sério risco de desaparecer. Também sei que as redes sociais, os portais e os blogues
não podem nem devem substituir-se à Comunicação Social clássica e de referência
(o chamado jornalismo sério e escrutinado) mas, meus amigos…, sejamos
realistas, ou mudam de paradigma e começam também a reparar nos outros e
naquilo que verdadeiramente interessa, ou então talvez venham mesmo a ter o fim
que merecem… Informo
e enfatizo que sou um ávido consumidor de Jornais e de Revistas (sobretudo em
papel) e gostaria sinceramente que o jornalismo clássico e de referência
prevalecesse. A ver vamos!
9.
Tertúlia Orpheu / Extravasar: Muitas outras questões ficaram por colocar,
contudo, foi para nós um prazer e um privilégio termos “conversado” consigo e termos
conhecido um pouco melhor o escritor, o poeta, o professor, o também músico/compositor,
o também artista plástico (com o heterónimo Miguel d’Hera) e o coordenador
literário Ângelo Rodrigues. Agradecemos a sua participação nos nossos projetos
e pedimos-lhe que deixe uma mensagem/recado e/ou um desejo final.
Ângelo Rodrigues: Obrigado
por me terem lembrado que “vou a todas”… É óbvio que sou bastante eclético e
curioso (tenho um espírito de filósofo) e não quero abandonar este mundo sem conhecer
e experienciar várias artes e daí me ter dedicado desde muito cedo também às
que foram enunciadas. Bem ou mal vou desenvolvendo o meu trabalho e, quem
gosta, gosta, quem não gosta, paciência! Enquanto me der gozo (“pica”), vou desenvolvendo trabalho
criativo em várias áreas pois é assim que vou dando sentido à minha vida. Recordo várias vezes aquela célebre frase de
Fernando Pessoas(s) (1988-1935)
que diz muito sobre esta ideia: «A
literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta. Talhar a
obra literária sobre as próprias formas do que não basta é ser impotente para
substituir a vida».
A
minha mensagem ou recado é apenas isto: obrigado por se terem lembrado de mim e
por terem a paciência de lerem esta singela, mas autêntica entrevista. Vivam em Arte,
com Arte e pela Arte! E, com essa atitude, tentem ser felizes.
Por último, não queiram morrer sem ler qualquer
coisinha de Ângelo Rodrigues pois, quando chegarem ao Inferno, a primeira coisa
que vos vão perguntar é se conhecem ou não este autor…
10.
Tertúlia Orpheu / Extravasar: Escolha por favor um pequeno excerto e/ou poema de
um dos seus livros (publicados ou a publicar). Desejamos-lhe todo o sucesso e
sorte do mundo pois a sua obra bem o merece.
Ângelo Rodrigues: Muito
obrigado por esta entrevista. Foi para
mim um prazer ter passado cerca de hora e meia convosco e desejo que o
prazer que senti a responder às vossas questões possa ser o mesmo de quem nos
vai ler.
Deixo-vos
então com um pequeno excerto do meu último livro «MUSA LIXADA e PREGUIÇOSA» publicado pelas Edições Colibri (www.edi-colibri.pt)
em maio de 2019.
(…)
É imperativo saber
se lá longe,
no lugar mágico da nossa origem,
onde as mulheres
engravidam dos deuses,
e os homens bebem Leveza e Enigmas,
se esconde
o Sentido,
o Sinal,
o Destino,
o Princípio.
Por favor,
qualquer coisa de bom e de belo!
Há três certezas em toda a verdadeira Arte: a contradição, o inconformismo
e a incerteza. É da luta dos opostos que sai o novo e o diferente como nos
ensina todos os dias a Vida. É urgente vi-Ver des-alma-da-mente. É preciso
imaginação, talento, experiências, fruições, êxtases, loucuras... é preciso
saber olhar e ver este mundo e os outros com paixão e diferença-quotidiana para
reinventar a Beleza dos dias e assim ser possível suportar e tranquilizar as
nossas vidas tão carentes e tão descuidadas de essencial. Uma resposta possível
estará na busca do seu próprio Graal; na inquietude; na procura
desenfreada; no desejo de mudança que dá sentido à existência; na nobre e tão
necessária insatisfação que nos permite desbravar e aventurar em novos mundos. Por favor, inquieta-te!
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